segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Espírito Desencarnado não é Santo


Alamar Régis de Carvalho (São Paulo–SP)
  

O grande problema de uma doutrina são os equívocos praticados por alguns dos seus profitentes. A Doutrina Espírita também é vítima disto, pelo que fazem alguns espíritas que, apesar da boa vontade que estão investidos no movimento e até mesmo da honestidade de propósitos, não se dão muito ao trabalho de entender bem os postulados doutrinários, a base fundamental da doutrina, na sua essência, e terminam prejudicando o entendimento do Espiritismo.

É exatamente por causa desses conhecimentos apenas superficiais da doutrina que ainda há muita prática igrejeira em nosso movimento, com todos os ingredientes do espírito de igreja, com as proibições, as obrigações, as censuras, as rezações excessivas, os rituais, as perseguições e todas essas coisas.

Analisemos aqui a questão da concepção dos espíritos pelos espíritas. Antes que eu faça a minha abordagem, vale relermos “O Livro dos Espíritos”, em seu livro segundo, que fala do “Mundo Espírita ou dos Espíritos”, da natureza dos espíritos de um modo geral, da influência deles em nossas vidas, etc.

É muito comum ouvirmos pessoas dizerem:

         - “Esta coisa tem que ser assim, porque o Espírito tal disse que tem que ser assim, no livro tal”.

         - “A nossa instituição vai ter que trabalhar desta forma, porque o mentor da casa disse que tem que ser desta forma”.

         - “Fulano está errado e não deve ser levado a sério, porque o espírito tal, no livro tal, coloca a coisa de uma maneira diferente”.

         - “Isto não é Espiritismo!!!!”.

Expressões como estas são ouvidas a todo momento no meio espírita. Daí resultam aquilo que chamo de “Espiritismos à moda da casa”, quando vários dirigentes, em diversas localidades, fazem do Espiritismo o que bem entendem, embora laborando na doutrina com honestidade e dedicação.

A grande confusão que existe é a concepção dos Espíritos, quando muitos os vêem como verdadeiros santos, donos absolutos da verdade, conhecedores de todas as coisas, perfeitos e infalíveis como se fossem o próprio Deus.

É preciso que todos nós espíritas entendamos bem aquilo que a obra básica da doutrina nos ensina, que diz que os espíritos desencarnados são exatamente os espíritos dos homens que viveram encarnados na Terra.


Se uma pessoa não foi espírita, quando encarnada, não vira espírita imediatamente à sua  desencarnação. Poderá, depois de algum tempo, aceitar as idéias espíritas; do mesmo jeito que poderia aceitá-las, como muitos passam a aceitar, quando estão encarnados. Mas poderá também não querer aceitar.

Se uma pessoa, enquanto encarnada, viveu advogado aqui, praticando a advocacia como sua vocação e profissão, depois que desencarna não terá tendência para ser “espírito de cura”, já que não teve qualquer afinidade com a medicina ou a enfermagem. Continuará gostando do direito, das leis, dos “data venia”, do “vamos fazer uma juntada aos autos do processo”, do “transitado e julgado” etc.

Se um espírito foi padre ou freira, quando encarnado, amante da sua venerável igreja católica, não vai deixar de amar a sua igreja, depois que morre, por mais que tome consciência da sua condição de desencarnado, entenda a possibilidade da comunicação mediúnica, passe a usar um médium para se comunicar, crie simpatia pelo Espiritismo e resolva até escrever livros, exercendo o seu amor pela educação, pelo ensinar e pela aplicação dos seus conhecimentos de um modo geral.

Só que tentará passar para as pessoas, mesmo espíritas, orientações conforme a sua cultura adquirida que, queiramos ou não, trás o ranço católico. É natural que não vá passar idéias inquisitoriais, recomendações a determinadas formalidades, rituais ou qualquer procedimento católico que ele não aceita, do mesmo jeito que nos dias atuais já conseguimos identificar padres que, mesmo encarnados, não aceitam determinados dogmas e procedimentos que a sua igreja impõe. Antigamente o padre que se atrevesse a pelo menos insinuar que não aceitava pelo menos um dogma da igreja, era queimado sumariamente. Hoje a coisa está mais livre. 

Nós temos um problema muito sério, no movimento espírita, no campo da moralidade, por exemplo, problema esse que gera outros para as pessoas.

Geralmente os Espíritos que são mais conhecidos no movimento espírita, que escrevem livros, que enviam mensagens através dos mais famosos médiuns, são pessoas que desencarnaram nas décadas de dez, de vinte, de trinta... mais ou menos.

Raramente nos vemos um espírito escrever algum livro pelo Divaldo, por exemplo, ou por outro médium, que tenha desencarnado na década de setenta. Falo desses espíritos que são considerados modelos doutrinários pelo movimento, não espíritos como aqueles da Editora Petit, embora respeitáveis.

Acompanhem o meu raciocínio:

Uma pessoa que viveu até a década de vinte, por exemplo, tendo desencarnado com 70 anos, mais ou menos, certamente deve ter nascido por volta do ano de 1850.

Que tipo de cultura ele adquiriu no período da sua vida como encarnado, acerca do que seria moral, da relação homem mulher, dos direitos do homem e dos direitos da mulher, etc, vivendo no período de 1850 a 1920?


Conceber a mulher como um ser inferior ao homem, que deveria se limitar aos afazeres domésticos, jamais a sair também para trabalhar fora, em igualdade de condições, era uma concepção machista desse espírito?

Claro que não. É machista hoje, nos nossos dias, mas no tempo dele era absolutamente normal, era o que era moral. 

Discutia-se abertamente as questões sobre o sexo nas escolas? Nem pensar! Seria considerada a maior imoralidade.

Hoje o assunto é abordado, naturalmente, não apenas nas escolas, como também na televisão, onde até órgãos sexuais masculinos e femininos, em látex, são mostrados para crianças pegarem, vêem como funcionam, com câmeras mostrando em close, e ninguém mais se escandaliza com isto, a não ser mentes altamente poluídas e retrógradas que ainda existem nos dias atuais.

Mas o espírito em questão veria a coisa com essa naturalidade de hoje? Claro que não, veria como imoralidade conforme a cultura da sua época.

Mas aí há um outro questionamento que, de fato, tem fundamento:

Os espíritos, depois de desencarnados, continuam o curso das suas vidas normalmente, continuam os seus aprendizados, as suas buscas, pesquisas e aperfeiçoamento das suas idéias.

Nem todos.

Aqui na Terra, algumas pessoas concluem as suas graduações, nos diversos cursos superiores, e param por aí. São muitos os médicos que se formam, entram numa das vertentes das especialidades e ficam acomodados naquele conhecimento, sem se preocuparem com Mestrado, Doutorado, Pós Graduação em geral, participação em Congressos, Seminários, assinaturas de revistas e periódicos, porém trabalhando honestamente, lidando com dedicação, amor e respeito aos seus pacientes, no entanto estacionaram os seus conhecimentos.

Conheço oftalmologista formado há mais de 40 anos, que nunca fez qualquer pós graduação muito menos participou de congresso algum. 

No Direito, nas diversas Engenharias e em todos os outros segmentos ocorrem a mesma coisa.

Você vai encontrar, entre os espíritos encarnados, alguns que, embora desencarnados na década de 20, continuaram a acompanhar o processo evolutivo, inclusive do plano encarnado e falam como se estivessem vivendo aqui hoje.


A Joanna de Ângelis, por exemplo, é um espírito que desencarnou em 1823, mas fala tranqüilamente sobre Carl Gustav Jung, que nasceu em 1875 e desencarnou em 1961, com um detalhe: Ela viveu no Brasil e ele na Suíça.

Mas tem outro detalhe que precisamos considerar: Ela foi freira, em várias das suas encarnações, inclusive na última, e como freira foi uma mulher extremamente digna, honesta e moralmente elevada. 

Por estar em Paz com a sua consciência, já que o postulado espírita, que ela também passou a admirar, diz que A Lei de Deus está escrita na nossa consciência, ela obviamente deve conceber a sua vida como freira absolutamente correta e os conceitos obtidos no seio católico como sendo morais.

Continua freira, o que é absolutamente normal. Tanto que quando se apresenta a algum médium vidente, está sempre com a vestimenta de freira.

Outro aspecto que deve ser considerado:

O fato de um espírito desencarnado entender que ele pode se comunicar com o mundo material através de um médium, possibilidade que vem sendo dita pelo Espiritismo há muito tempo, não quer dizer que ele aceite o Espiritismo, se não aceitava enquanto encarnado.

Tenho mais um exemplo a citar:

Com o médium José Medrado, trabalham vários espíritos, com destaque para aqueles que gostam de pintar quadros.

Acontece que no meio deles, tem um que é padre e que não aceita o Espiritismo.

Veja só que coisa mais interessante: Se o Medrado participar de algum evento de pintura mediúnica em alguma instituição espírita, esse espírito se recusa a comparecer e, obviamente, não pinta nada. Mas se o evento acontece em um clube ou qualquer lugar neutro, já que é comum o citado médium realizar esse tipo de trabalho em ambientes não espíritas, olha ele lá, já querendo lugar na fila.

Vá explicar uma coisa dessa.

Segundo relata Medrado, trata-se de um espírito dócil, bom e carinhoso, mas pensa desse jeito e exige que todo mundo respeite o seu modo de ser, o que é um direito que ele tem.

Deixa de ser bom por causa disto?

Se você quiser me qualificar como alguns dirigentes me qualificam, pela minha absoluta independência de pensamento, que qualifique, mas eu, sinceramente, não leio obra espírita nenhuma, seja do espírito que for, já com a idéia preconcebida de que tudo o que vou ler ali é a verdade absoluta, que não deve ser discutida e nem questionada.

Se eu questiono até o Evangelho, que foi colocado no mundo como a “Boa Nova” do Cristo, como aquele caso da parábola da figueira, que eu não engulo de jeito nenhum, porque o meu bom senso convida-me e perguntar a mim mesmo:

“Será que o episódio aconteceu exatamente daquele jeito como foi relatado pelo evangelista?”.

Pense você, raciocine você e veja se tem sentido Jesus, com toda aquela excelência que ele foi, ter vontade de comer figo, encontrar uma figueira que não tinha nenhum fruto para lhe satisfazer, numa época em que não era tempo de figos, de repente se aborrecer daquele jeito e amaldiçoar a pobre da árvore e ainda jogar-lhe uma praga!!! Tem cabimento, uma coisa dessa? 

Aí aparece um monte de gente para fazer palestras, dando as mais diversificadas interpretações para aquilo, pra coisa ficar “bonitinha”. Ora, tenha a santa paciência.        

Para concluir é bom que todos entendamos que ninguém vira santo depois que desencarna, ninguém vira sábio, adquire todos os conhecimentos, fica dono de verdade absoluta e muito menos deve ser aceito em todos os seus conceitos e opiniões sem a devida análise o mais criteriosa possível.

Aproveito aqui para dizer às pessoas amigas que costumam me convidar para fazer palestras em algumas cidades. Se vocês me convidarem, como muitos convidam, para participar de reuniões mediúnicas, digam antes à direção da casa que o Alamar costuma gostar de conversar com os espíritos, gosta de questionar e de esclarecer todas as colocações feitas que não ficam bem claras. Comigo não tem esse negócio de silêncio absoluto e apenas ficar ouvindo, ouvindo, ouvindo e dizendo amém para o que espírito fala não.

É bom que se saiba, também, que muitos conceitos impostos por muitos espíritas, com base no que disse o espírito A ou B, principalmente no campo da moralidade, devem ser considerados como opiniões pessoais deles, e nem sempre devem ser absorvidos como a verdade absoluta. Principalmente quando entramos mais fundo na questão e identificamos um pouco da “cabeça” do médium na mensagem.

Ihhhhh! Aí já é uma outra matéria, que demandariam algumas páginas a mais. 

A excelência do Espiritismo só se desperta onde existem espíritas lúcidos, sensatos e coerentes. Fora disso, o que encontramos é apenas prática de religião espírita.

Amém

História da Umbanda

Sociedade Espiritualista Mata Virgem


História da Umbanda

No final de 1908, Zélio Fernandino de Moraes, um jovem rapaz com 17 anos de idade, que preparava-se para ingressar na carreira militar na Marinha, começou a sofrer estranhos "ataques". Sua família, conhecida e tradicional na cidade de Neves, estado do Rio de Janeiro, foi pega de surpresa pelos acontecimentos.
Esses "ataques" do rapaz, eram caracterizados por posturas de um velho, falando coisas sem sentido e desconexas, como se fosse outra pessoa que havia vivido em outra época. Muitas vezes assumia uma forma que parecia a de um felino lépido e desembaraçado que mostrava conhecer muitas coisas da natureza.
Após examiná-lo durante vários dias, o médico da família recomendou que seria melhor encaminhá-lo a um padre, pois o médico (que era tio do paciente), dizia que a loucura do rapaz não se enquadrava em nada que ele havia conhecido. Acreditava mais, era que o menino estava endemoniado.
Alguém da família sugeriu que "isso era coisa de espiritismo" e que era melhor levá-lo à Federação Espírita de Niterói, presidida na época por José de Souza. No dia 15 de novembro, o jovem Zélio foi convidado a participar da sessão, tomando um lugar à mesa.
Tomado por uma força estranha e alheia a sua vontade, e contrariando as normas que impediam o afastamento de qualquer dos componentes da mesa, Zélio levantou-se e disse: "Aqui está faltando uma flor". Saiu da sala indo ao jardim e voltando após com uma flor, que colocou no centro da mesa. Essa atitude causou um enorme tumulto entre os presentes. Restabelecidos os trabalhos, manifestaram-se nos médiuns kardecistas espíritos que se diziam pretos escravos e índios.
O diretor dos trabalhos achou tudo aquilo um absurdo e advertiu-os com aspereza, citando o "seu atraso espiritual" e convidando-os a se retirarem.
Após esse incidente, novamente uma força estranha tomou o jovem Zélio e através dele falou: _"Porque repelem a presença desses espíritos, se nem sequer se dignaram a ouvir suas mensagens. Será por causa de suas origens sociais e da cor ?"
Seguiu-se um diálogo acalorado, e os responsáveis pela sessão procuravam doutrinar e afastar o espírito desconhecido, que desenvolvia uma argumentação segura.
Um médium vidente perguntou: _"Por quê o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direção aceite a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram, quando encarnados, são claramente atrasados? Por quê fala deste modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua veste branca reflete uma aura de luz? E qual o seu nome irmão?
_"Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados."
_"O que você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como caboclo brasileiro."
Anunciou também o tipo de missão que trazia do Astral:
_"Se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã (16 de novembro) estarei na casa de meu aparelho, às 20 horas, para dar início a um culto em que estes irmãos poderão dar suas mensagens e, assim, cumprir missão que o Plano Espiritual lhes confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que deve existir entre todos os irmãos, encarnados e desencarnados.”
O vidente retrucou: _"Julga o irmão que alguém irá assistir a seu culto" ? perguntou com ironia. E o espírito já identificado disse:
_"Cada colina de Niterói atuará como porta-voz, anunciando o culto que amanhã iniciarei".
Para finalizar o caboclo completou:
_"Deus, em sua infinita Bondade, estabeleceu na morte, o grande nivelador universal, rico ou pobre, poderoso ou humilde, todos se tornariam iguais na morte, mas vocês, homens preconceituosos, não contentes em estabelecer diferenças entre os vivos, procuram levar essas mesmas diferenças até mesmo além da barreira da morte. Porque não podem nos visitar esses humildes trabalhadores do espaço, se apesar de não haverem sido pessoas socialmente importantes na Terra, também trazem importantes mensagens do além?"
No dia seguinte, na casa da família Moraes, na rua Floriano Peixoto, número 30, ao se aproximar a hora marcada, 20:00 h, lá já estavam reunidos os membros da Federação Espírita para comprovarem a veracidade do que fora declarado na véspera; estavam os parentes mais próximos, amigos, vizinhos e, do lado de fora, uma multidão de desconhecidos.
Às 20:00 h, manifestou-se o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Declarou que naquele momento se iniciava um novo culto, em que os espíritos de velhos africanos que haviam servido como escravos e que, desencarnados, não encontravam campo de atuação nos remanescentes das seitas negras, já deturpadas e dirigidas em sua totalidade para os trabalhos de feitiçaria; e os índios nativos de nossa terra, poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social.
A prática da caridade, no sentido do amor fraterno, seria a característica principal deste culto, que teria por base o Evangelho de Jesus.
O Caboclo estabeleceu as normas em que se processaria o culto. Sessões, assim seriam chamados os períodos de trabalho espiritual, diárias, das 20:00 às 22:00 h; os participantes estariam uniformizados de branco e o atendimento seria gratuito. Deu, também, o nome do Movimento Religioso que se iniciava: UMBANDA – Manifestação do Espírito para a Caridade.
A Casa de trabalhos espirituais que ora se fundava, recebeu o nome de Nossa Senhora da Piedade, porque assim como Maria acolheu o filho nos braços, também seriam acolhidos como filhos todos os que necessitassem de ajuda ou de conforto.
Ditadas as bases do culto, após responder em latim e alemão às perguntas dos sacerdotes ali presentes, o Caboclo das Sete Encruzilhadas passou a parte prática dos trabalhos.
O caboclo foi atender um paralítico, fazendo este ficar curado. Passou a atender outras pessoas que haviam neste local, praticando suas curas.
Nesse mesmo dia incorporou um preto velho chamado Pai Antônio, aquele que, com fala mansa, foi confundido como loucura de seu aparelho e com palavras de muita sabedoria e humildade e com timidez aparente, recusava-se a sentar-se junto com os presentes à mesa dizendo as seguintes palavras:
"_ Nêgo num senta não meu sinhô, nêgo fica aqui mesmo. Isso é coisa de sinhô branco e nêgo deve arrespeitá."
Após insistência dos presentes fala:
"_Num carece preocupá não. Nêgo fica no toco que é lugá di nego."
Assim, continuou dizendo outras palavras representando a sua humildade. Uma pessoa na reunião pergunta se ele sentia falta de alguma coisa que tinha deixado na terra e ele responde:
"_Minha caximba. Nêgo qué o pito que deixou no toco. Manda mureque busca."
Tal afirmativa deixou os presentes perplexos, os quais estavam presenciando a solicitação do primeiro elemento de trabalho para esta religião. Foi Pai Antonio também a primeira entidade a solicitar uma guia, até hoje usadas pelos membros da Tenda e carinhosamente chamada de "Guia de Pai Antonio".
No dia seguinte, verdadeira romaria formou-se na rua Floriano Peixoto. Enfermos, cegos etc. vinham em busca de cura e ali a encontravam, em nome de Jesus. Médiuns, cuja manifestação mediúnica fora considerada loucura, deixaram os sanatórios e deram provas de suas qualidades excepcionais.
A partir daí, o Caboclo das Sete Encruzilhadas começou a trabalhar incessantemente para o esclarecimento, difusão e sedimentação da religião de Umbanda. Além de Pai Antônio, tinha como auxiliar o Caboclo orixá Malé, entidade com grande experiência no desmanche de trabalhos de baixa magia.
Em 1918, o Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu ordens do Astral Superior para fundar sete tendas para a propagação da Umbanda. As agremiações ganharam os seguintes nomes: Tenda Espírita Nossa Senhora da Guia; Tenda Espírita Nossa Senhora da Conceição; Tenda Espírita Santa Bárbara; Tenda Espírita São Pedro; Tenda Espírita Oxalá, Tenda Espírita São Jorge; e Tenda Espírita São Gerônimo. Enquanto Zélio estava encarnado, foram fundadas mais de 10.000 tendas a partir das mencionadas.
Embora não seguindo a carreira militar para a qual se preparava, pois sua missão mediúnica não o permitiu, Zélio Fernandino de Moraes nunca fez da religião sua profissão. Trabalhava para o sustento de sua família e diversas vezes contribuiu financeiramente para manter os templos que o Caboclo das Sete Encruzilhadas fundou, além das pessoas que se hospedavam em sua casa para os tratamentos espirituais, que segundo o que dizem parecia um albergue. Nunca aceitara ajuda monetária de ninguém era ordem do seu guia chefe, apesar de inúmeras vezes isto ser oferecido a ele.
Ministros, industriais, e militares que recorriam ao poder mediúnico de Zélio para a cura de parentes enfermos e os vendo recuperados, procuravam retribuir o benefício através de presentes, ou preenchendo cheques vultosos. "_Não os aceite. Devolva-os!", ordenava sempre o Caboclo.
A respeito do uso do termo espírita e de nomes de santos católicos nas tendas fundadas, o mesmo teve como causa o fato de naquela época não se poder registrar o nome Umbanda, e quanto aos nomes de santos, era uma maneira de estabelecer um ponto de referência para fiéis da religião católica que procuravam os préstimos da Umbanda. O ritual estabelecido pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas era bem simples, com cânticos baixos e harmoniosos, vestimenta branca, proibição de sacrifícios de animais. Dispensou os atabaques e as palmas. Capacetes, espadas, cocares, vestimentas de cor, rendas e lamês não seriam aceitos. As guias usadas são apenas as que determinam a entidade que se manifesta. Os banhos de ervas, os amacis, a concentração nos ambientes vibratórios da natureza, a par do ensinamento doutrinário, na base do Evangelho, constituiriam os principais elementos de preparação do médium.
O ritual sempre foi simples. Nunca foi permitido sacrifícios de animais. Não utilizavam atabaques ou qualquer outros objetos e adereços. Os atabaques começaram a ser usados com o passar do tempo por algumas das Tendas fundadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, mas a Tenda Nossa Senhora da Piedade não utiliza em seu ritual até hoje.
Após 55 anos de atividades à frente da Tenda Nossa Senhora da Piedade (1º templo de Umbanda), Zélio entregou a direção dos trabalhos as suas filhas Zélia e Zilméa, continuando, ao lado de sua esposa Isabel, médium do Caboclo Roxo, a trabalhar na Cabana de Pai Antônio, em Boca do Mato, distrito de Cachoeiras de Macacu – RJ, dedicando a maior parte das horas de seu dia ao atendimento de portadores de enfermidades psíquicas e de todos os que o procuravam.
Em 1971, a senhora Lilia Ribeiro, diretora da TULEF (Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade – RJ) gravou uma mensagem do Caboclo das Sete Encruzilhadas, e que bem espelha a humildade e o alto grau de evolução desta entidade de muita luz. Ei-la:
"A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo. O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa. Umbanda é humildade, amor e caridade – esta a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxossi, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão. Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda. Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa. Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade. Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria. Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas".

Zélio Fernandino de Moraes dedicou 66 anos de sua vida à Umbanda, tendo retornado ao plano espiritual em 03 de outubro de 1975, com a certeza de missão cumprida. Seu trabalho e as diretrizes traçadas pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas continuam em ação através de suas filhas Zélia e Zilméa de Moraes, que têm em seus corações um grande amor pela Umbanda, árvore frondosa que está sempre a dar frutos a quem souber e merecer colhê-los.

Para se desapegar: apegue-se.



É o que eu sempre digo aos meus amigos: ''Quer se desapegar de algo ou alguém? Apegue-se.'' Sei que pode parecer loucura de minha parte vos dizer isto, mas garanto que não. Gosto de trabalhar por tópicos, então vamos a eles:

1° - antes de mais nada, quando a gente quer se desapegar e não consegue, é nítido que está havendo uma forte batalha com o emocional e racional, o consciente com o inconsciente. Só quem passa por isso, sabe o que eu estou a dizer... creio que todos nós já passamos por isso, a começar quando tivemos que sair de nosso lar para ir ao 1° dia da nossa 1° escola. Quem que não queria se desapegar, não é mesmo? Aliás, apegar-se a algo ou alguém é algo mais comum do que imaginamos e somos vítimas disso constantemente.

2° - vimos no tópico anterior sobre a batalha com o emocional e o racional/ o consciente e com o inconsciente e eu lhes pergunto: Quais batalhas vocês têm enfrentado? Vamos partir do pressuposto que você é uma moça que sofre com o fim de um relacionamento ou que você seja um rapaz preso à família. Ambos os casos as raízes são emocionais e que pode ser chamado de submissão. Eles estão presos, sofrendo em suas respectivas situações. Não parece, mas eles estão em uma batalha com a razão deles. Eles querem sair dessa situação, pois sabem que não os levarão muito longe e durante essa ''batalha'' é comum ficar deprimido e querer se isolar das coisas. E é aí que o desapego entra em cena! A razão diz: ''pára com isso! Caia fora! Você é melhor do que isso!'' e ai aparece a emoção e diz: ''pensa bem! Olha o que você vai perder!''

Ou seja: você ali no meio do bombardeio. Mas veja pelo lado positivo: você pode optar com qual fica.

3° - desfecho – agora é a melhor parte. Contarei o segredo de como eu faço para eu me desapegar: me apegando. Simples. Exemplo: como eu estou para me mudar, estou me apegando ao máximo à minha família, principalmente ao meu pai, já que eu moro com ele. E me apegando, eu ''saturo'' essa energia, pois quando eu partir, não ficarei com remorso ou remoendo o passado por não ter ''curtido'' a minha família direito e depois passar anos me apegando a um sentimento e/ou emoção que eu tive tempo de viver com eles. Claro que eu os verei, só que não todo dia. Uso esta mesma técnica para o fim de relacionamentos. Mesmo com o término, eu me apego e ''saturo'' essa energia e depois eu me desapego. Lembrando que isso não é vampirização. Eu não sugo a energia das pessoas. Posso comparar com uma foto antiga, que você fica olhando e depois a descarta.

E como eu consigo essa destria? Com meditação. Eu criei o hábito de meditar diariamente e isso me ajuda muito para refrescar meus pensamentos e ter atitudes certas. Não que eu acerte sempre, mas eu ajo com a mente fria.
E sendo assim, eu me apego ao desapego e destravo mais um cadeado, e a roda gira... e eu sigo feliz.


É um caminho que requer muita cautela e atenção, uma vez conseguindo, a felicidade virá. E só se desapegar ao apego.

PRATICANDO O DESAPEGO



Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final.
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário....
Perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos.
Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos que já se acabaram.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas possam ir embora.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. 

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: Diga a si mesmo que o que passou jamais voltará.

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo... 
- Nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Encerrando ciclos, não por causa do orgulho, por incapacidade ou por soberba...
Mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais em sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira.
Quando um dia você decidir a pôr um ponto final naquilo que já não te acrescenta.
Que você esteja bem certo disso, para que possa ir em frente, ir embora de vez.

Desapegar-se, é renovar votos de esperança de sí mesmo,
É dar-se uma nova oportunidade de construir uma nova história melhor.
Liberte-se de tudo aquilo que não tem te feito bem, daquilo que já não tem nenhum valor, e siga, siga novos rumos, desvende novos mundos.

A vida não espera.
O tempo não perdoa. 
E a esperança, é sempre a última a lhe deixar.

Então, recomece, desapegue-se! 

Ser livre, não tem preço!

~Fernando Pessoa~

Energias das pedras


ENERGIA DAS PEDRAS
Uma espantosa variedade de pedras nos aguarda para ser usada em magia. Existem em formas infinitas, com aparência cristalina e até coloridas. Seus usos em magia são incrivelmente variados. Como mencionei no Capítulo 1, as pedras são depósitos de energia e nós as utilizamos na magia para efetuar transformações. Existem dois tipos básicos de energias dentro das pedras e eles contêm todas as várias vibrações delas: as que atraem o amor, repelem a negatividade e assim por diante. São as energias emissoras e receptoras. São manifestações das formas mais puras de energias universais que criaram tudo o que existe. Possuem vários símbolos. Na religião, são conhecidas como Deus e Deusa. Em astronomia, o Sol e a Lua. Nos seres humanos, masculino e feminino. Eis mais algumas associações:

EMISSORAS - elétrica/ quente/ dia/ físico/ brilhante/ verão/ faca/ ativo/ 
RECEPTORAS - magnetita/ fria/ noite/ espiritual/ escuro/ inverno/ taça/ inerte/

Esses poderes se encontram por toda a parte no universo. Estão presentes em nós mesmos e no planeta. Segundo o pensamento mágico, encontram-se dentro de nossos corpos. Falando simbolicamente, é por isso que podemos ter filhos de um sexo ou de outro e praticar todas as formas de magia. As energias receptoras e emissoras estão ambas dentro de nós. Essas forças nada têm a ver com nosso sexo físico. Ou melhor, não deveriam, mas já que somos treinados desde o nascimento para acentuar a energia que combina com o nosso gênero físico, os desequilíbrios são bastante comuns. Os meninos são vestidos de azul, ensinados a jogar basquete, a usar calças etc. Embora hoje em dia isso esteja mudando, esse ainda é o normal. Um dos objetivos do mago é alcançar o equilíbrio perfeito dessas duas forças gêmeas. Quando se tornam desequilibradas, quando uma energia é mais abundante ou acentuada do que a outra, o mago também fica assim. Uma presença excessiva de energia emissora torna o mago irritável, agressivo, zangado e demasiado analítico. Com relação à saúde, esse desequilíbrio pode levar a úlceras, dores de cabeça, pressão alta e outros males. 
Excesso de energia receptora provoca melancolia, letargia, depressão, desinteresse e isolamento do mundo físico. Outros possíveis problemas são pesadelos, dependência afetiva, desemprego, queda das defesas imunológicas e hipocondria. Se e quando notar um desequilíbrio de sua energia, use pedras do tipo oposto para ativar essa força (veja Parte IV para uma lista dessas pedras). Voltemos às pedras. As pedras emissoras são as brilhantes, extrovertidas, agressivas e elétricas. Possuem energias fortes e dominantes que repelem o mal, vencem a inércia e criam movimento. 
As pedras emissoras ajudam a acabar com a doença, reforçam a mente consciente e preenchem o portador com coragem e determinação. São usadas para promover energia física, atrair a sorte e o sucesso. Na magia, podem ser usadas para acrescentar mais força ao ritual. Essas rochas e minerais são usados de duas formas principais: Para expulsar energias negativas e não desejadas ou introduzir energias num objeto ou pessoa. Uma mulher que use uma cornalina para ter coragem, por exemplo, absorve essas energias. A mesma mulher, desejando repelir a negatividade presente em seu corpo, capacitaria apedra, pela visualização, para esse fim. Assim, em vez de introduzir energia na mulher, a pedra a levaria para longe. Claro que o segredo é a visualização. As pedras emissoras contatam a mente consciente. Geralmente são densas ou pesadas, às vezes opacas, e podem ser vermelhas, laranja, amarelas, douradas ou transparentes. Também podem brilhar ou cintilar como o Sol. Exemplos de pedras e minerais emissores incluem o rubi, o diamante, a lava, o topázio e a rodocrosita. As pedras emissoras estão associadas ao Sol, Mercúrio, Marte, Urano e aos elementos Fogo e Ar. 
Também se relacionam às estrelas, já que estas são apenas sóis distantes. As pedras receptoras são o complemento natural das emissoras. São reconfortantes, calmantes, introvertidas e magnéticas, promovendo a meditação, a espiritualidade, a sabedoria e o misticismo. Criam a paz. Essas pedras promovem a comunicação entre o consciente e o inconsciente, fazendo brotar a sensitividade. Irradiam energias que atraem o amor, o dinheiro, a cura e a amizade. As pedras receptoras são bastante usadas para centramento, para estabilizar e reforçar a ligação com a Terra. Como as pedras emissoras, as receptivas também são usadas de duas maneiras principais: o lápis-lazúli é usado para atrair o amor e, energizada diversamente, será capaz de absorver a depressão e criar a alegria. As pedras receptoras são encontradas numa grande variedade de cores - verde, azul, verde-azulado, violeta, cinza, prateado, cor-de-rosa, preto (ausência de cor) e branco (todas as cores combinadas). Também podem ser opalescentes ou translúcidas, e terem um orifício natural. Exemplos de pedras receptoras incluem a pedra-da-lua, água marinha, esmeralda, olho-de-boi, quartzo rosa, turmalina rosa, kunzita, lápis-lazúli e sugilita. São ligadas à Lua, Vênus, Saturno, Netuno, Júpiter e aos elementos Terra e Água.
Nem todas as pedras se encaixam facilmente numa dessas categorias, mas é um bom sistema para nos ajudar a relacionar as pedras com seus poderes básicos. Algumas contêm uma mistura dessas energias, como o lápis-lazúli. Outras possuem usos que não correspondem a essa classificação simples, logo aplique seu julgamento para determinar os poderes principais. Lembre-se: este é um sistema para ser usado em seu benefício e não pode estar certo o tempo todo.
Só de olhar para uma pedra desconhecida, notando seu peso e cor, você será capaz de saber alguma coisa sobre suas propriedades mágicas antes mesmo de tentar senti-las. Da próxima vez que vir uma pedra - em qualquer lugar -, tente determinar se ela é emissora ou receptora. Se isso se tornar um processo automático, adquirirá rapidamente o conhecimento das pedras e, assim, a magia com elas se tornará mais fácil.

Texto extraído do Livro: Enciclopédia de Cristais - Scott Cunningham - capítulo 3.

Mude-se.


          


A realidade mais profunda que nós experimentamos é que nós nos modificamos com o passar dos anos, positiva ou negativamente falando. Contudo, um núcleo em nós é constante. Nós nunca somos os mesmos de tudo o que fomos antes. Existe algo em nós que está em constante mutação e que, nesta condição, pode levar a avanços progressiva e positivamente, bem como a regressões profundas, nunca imagináveis antes. A questão está na forma como tu hás de encarar determinados acontecimentos que podem te levar a superações internas ou externas. Isso pode levar a um consequente crescimento ou a evidências de algum registro no qual queiras te fixar e aí permanecer petrificado, como se à imagem daquele fato estivesses tu colado e não quisesses ou pudesses dali sair e não te permitisses, tampouco, progredir.
As mudanças mais profundas que acontecem no teu coração, com implicações em tua realização, participam de um processo de maturação, conhecimento da verdade que te constituiu e te fez ser como os fatos o têm mostrado. Há de chegar, então, o momento em que não se encontrará mais espaço para a pertinência dos limites nos quais até então tens estado.  
     
Aí, dar-se-á um salto. Mudanças profundas assim outros já experimentaram, podendo viver e participar de uma realidade que traz a marca constante de ser em si mesma insuficiente. A falta estará, em qualquer realidade, presente. Superações, portanto, hão de ser a necessidade, para que se revele o traço seu mais permanente.
          A realidade mais profunda que nós experimentamos é que nós nos modificamos com o passar dos anos, positiva ou negativamente falando, como já dissemos anteriormente. Mas como em toda culminância há um declínio ou crescimento antecedente, mudando-se a dinâmica, permanece a marca dos avanços ou recuos na realidade basilar, esta estrutural, através dos tempos.